"Navegar é preciso, viver não é preciso"

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Bordéis Franceses




"Elas aguardam o cair da noite. Ocultas nas casas, vestidas como bebês ou cobertas de musselina transparente, de pé atrás as janelas iluminadas pela luz do grande número vermelho ou sentadas nas poltronas fundas do salão, esperam com paciência. A noite será longa. De botinhas altas e espartilho cavado, boca vermelha e olhos esfumados, descem até a rua e conquistam, com o passo lascivo e ao mesmo tempo alegre, o coração das cidades. Procuram os focos de luz, os cafés animados, os restaurantes abertos. Levantam um pouco a saia e lançam olhares. Algumas vezes, vão diretamente ao homem e, com voz carinhosa, falam de amor e de dinheiro. A brancura das anáguas, a beleza dos olhares. Circulação de desejos. Essas mulheres estão à venda e elas o dizem. Carne em oferta a troco de dinheiro. Sempre é possível negociar. Os preços são livres. Dependem da hora, do aspecto e da amabilidade do cliente, do estado de espírito da moça."


"No quarto, a cama ainda não está desfeita. No entanto, a noite já vai adiantada. Da sala de refeições chegam vozes, ruídos de copos se entrechocando. Ao redor da mesa, as mulheres estão abraçadas. Os homens, com ar embotado pelo cansaço e pelo álcool, olham-nas com excitação e gula enquanto elas trocam esses carinhos. Um deles sabe que vai ficar. Também espera com paciência. Imagina o momento em que estará nos braços daquela mulher para a qual entrega totalmente sua fortuna, honra e dignidade. Ele gosta disso. Gosta que falem dele nos jantares, nas pistas de corrida, nos salões, está queimando tudo o que conseguiu juntar por uma beleza que seus amigos adorariam possuir."


Trecho do livro:
Os Bordéis Franceses [1830 - 1930]
Companhia das Letras - 1991
Introdução pg. 9

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Le Chabanais

O Le Chabanais esta entre os mais finos e caros bordéis de Paris. A fundadora foi Madame Kelly, uma irlandesa e a casa era mantida pelos clientes interessados, tornando-se a mais extravagante e cara da cidade. Cada quarto tinha uma decoração específica referidos a temas históricos tais como Pompéia, Japão ou Índia. Havia uma outra em estilo rococó que remetia à época da libertinagem.


O pintor Henri de Toulouse-Lautrec era um hóspede frequente da casa e lá pintou diversos murais, que não existem mais.

Toulouse-Lautrec era também conhecido pelas meninas como "Toulouse Chaleira" pela sua baixa estatura e dotação. O poeta Guy de Maupassant gostava tanto do bordel que duplicou e fez como sua própria casa um quarto decorado em estilo mourisco. Um luxo. E tinha também Edward, Príncipe de Gales e herdeiro do trono que se tornou Rei Edward VII do Reino Unido. Edward foi um freguês fiel tanto que se apropriou do quarto "Hindu" que decorou com o seu brazão sobre a armação da cama e instalou uma enorme banheira de cobre que ele enchia com champanhe e provavelmente, mulheres.

Dentre a mobília do quarto do Rei Edward tinha destaque a "cadeira do amor" feita por Soubrier, um famoso construtor de móveis suntuosos. Foi desenhada tendo em vista as necessidades do Rei e remetia ao esplendor do estilo Luís XIV com um toque de exótico ao gosto de então, com suas cores pastel, formas onduladas e toques brilhantes de dourado.

Em 1946 os bordéis foram fechados em Paris e a cadeira foi vendida a um industrial. Depois foi revendida através de um leiloeiro da casa parisiense Drouot e em 1996 foi vendida de novo através do leiloeiro Herve Poulain para alguém em anonimato. Um escritor fez uma pesquisa sobre essa cadeira e conseguiu contatar o comprador que assegurou a ele que ela continua em uso...